05/10/2026
🇵🇹🇫🇷 HÁ 10 ANOS CHEGAVA A FRANÇA…
5 de outubro de 2016.
Há exatamente dez anos, cheguei a França.
Duas malas com roupa.
Uma mala com um computador.
Era praticamente tudo aquilo que trazia comigo.
Mas se alguém pudesse ter aberto não as minhas malas, mas o meu coração, teria encontrado muito mais.
Dentro de mim vinham tantos sonhos…
Muitos mesmo.
Sonhos de felicidade.
Sonhos de realização.
Sonhos de construir uma vida melhor.
Projetos.
Ideias.
Esperança.
Vontade de trabalhar.
Vontade de vencer.
E aquela certeza, talvez um pouco ingénua, de que eu conseguiria.
A mulher que chegou a França naquele dia não sabia o que a esperava.
Não sabia quantas vezes a vida iria trocar-lhe os planos.
Não sabia quantas lágrimas iria chorar.
Quantas saudades iria sentir.
Quantas vezes teria de começar novamente.
Quantas pessoas entrariam e sairiam da sua vida.
Quantas vezes iria cair.
Nem quantas vezes teria de encontrar forças para voltar a levantar-se.
A vida não facilitou.
Não.
Estes dez anos não foram o conto de fadas que talvez aquela mulher tivesse imaginado quando fechou aquelas duas malas.
Houve momentos de muita solidão.
Houve perdas.
Desilusões.
Cansaço.
Saudade da família.
Momentos em que pensei que não conseguiria mais.
Mas seria injusto contar estes dez anos apenas pelas coisas difíceis.
Porque também houve tanto…
Trabalhei.
Construí.
Arrisquei.
Criei.
Aprendi.
Conheci pessoas maravilhosas.
Amei.
Ri.
Dancei.
Viajei.
Ajudei pessoas.
Fui ajudada.
Criei os meus próprios projetos.
Construí o meu trabalho e tornei-me empresária.
Realizei sonhos que aquela mulher que chegou aqui com três malas talvez nem soubesse ainda que iria sonhar.
E também descobri que realização não é apenas aquilo que conseguimos construir por fora.
Nestes dez anos fui conhecendo — e continuo a conhecer — a mulher que existe dentro de mim.
Aprendi que ser forte não significa nunca cair.
Que não precisamos de fazer tudo sozinhos.
Que há momentos para lutar e momentos em que precisamos simplesmente de parar.
Que podemos mudar de caminho.
Que podemos recomeçar aos 40, aos 50 ou em qualquer idade.
E que alguns sonhos também podem mudar sem significar que falhámos.
Hoje olho para aquela mulher de 2016 com uma ternura diferente.
Gostava de conseguir aproximar-me dela, pegar-lhe na mão e dizer:
“Tu não imaginas tudo aquilo que vais viver.
Nem tudo vai correr como planeaste.
Vais ter dias em que vais questionar a decisão que tomaste.
Vais cair algumas vezes.
Vais perder algumas coisas pelo caminho.
Mas também vais descobrir uma força em ti que talvez ainda não conheças.
E, dez anos depois, vais continuar aqui.”
Portugal continua a ser as minhas raízes. 🇵🇹
É a minha terra.
A minha família.
A minha língua.
As minhas memórias.
Uma parte de mim que distância nenhuma consegue apagar.
Mas França também se tornou parte da mulher que sou. 🇫🇷
Foi aqui que vivi uma década da minha vida.
Foi aqui que construí.
Foi aqui que caí e me levantei tantas vezes.
Foi aqui que muitos sonhos mudaram.
Foi aqui que outros nasceram.
E hoje, dez anos depois, continuo a ter sonhos.
Talvez diferentes.
Talvez hoje sonhe menos com provar que consigo e mais com simplesmente ser feliz.
Com paz.
Com saúde.
Com amor.
Com a minha família.
Com pessoas verdadeiras ao meu lado.
Com tempo para viver.
E com a possibilidade de continuar a realizar aquilo que ainda mora no meu coração. 🤍
5 de outubro de 2016.
5 de outubro de 2026.
Dez anos.
Duas malas com roupa.
Uma mala com um computador.
E uma mulher carregada de sonhos.
Alguns realizaram-se.
Outros transformaram-se.
Alguns ainda estão à espera.
E outros ainda hei de sonhar.
Porque, depois de tudo, há uma coisa que a vida ainda não conseguiu tirar-me:
a capacidade de continuar a acreditar que ainda existem coisas bonitas por viver. 🦋
Parabéns a mim por estes 10 anos de caminho. 🇵🇹🤍🇫🇷
Não foi a história que imaginei quando cheguei.
Foi a história que vivi.
E ainda estou a escrevê-la.
Jessa Cristina André 🤍