07/09/2020
Não podemos decretar o fim da pandemia só porque estamos fartos dela
O Brasil caminha a passos largos para atingir a marca dos 100 mil mortos por covid-19 nesta primeira quinzena de agosto, caso seja mantida a terrível média móvel de cerca de mil óbitos por dia. É o segundo país com o maior número de vítimas fatais do novo coronavírus, perdendo apenas para os Estados Unidos, que registram quase 160 mil mortos. No entanto, essa tragédia sem precedentes na história recente do País não mais inibe o retorno inoportuno às práticas que, potencialmente, podem elevar ainda mais o número de mortes, como se à medida que o tempo passa a estatística infeliz deixasse de calar fundo nos corações e mentes de cada vez mais brasileiros que a tomam simplesmente como mais um fato da vida.
Por variadas razões, uma grande parte da sociedade parece esgotada após meses de confinamento e privações de toda sorte. Em capitais como São Paulo, Rio, Florianópolis e Fortaleza, são cada vez mais frequentes as aglomerações no comércio, praias e bares, os congestionamentos e a superlotação dos transportes públicos, sinais inequívocos de que, se para muita gente a vida não se alterou pela emergência sanitária – caso dos trabalhadores aos quais não foi dado ficar em casa no período –, voltou ao normal para tantas outras pessoas, como se o vírus mortal não estivesse mais circulando entre nós. Não é hora de baixar a guarda. O novo coronavírus não ouvirá as vozes das maiorias que pedem sua partida, seja em São Paulo, no Rio, em Berlim ou em Londres.