02/05/2026
TRABALHO | “Não existe um laboratório para gerar humanos, então não tem como substituir o trabalho de reprodução feito pelas mulheres. Ele é o útero motor do capitalismo, porque gera capital humano”, afirmou a professora de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Cibele Henriques, em entrevista à Agência Brasil.
A pesquisadora aponta que o trabalho de cuidado e as tarefas domésticas seguem concentrados nas mulheres. Dados do IBGE indicam que elas dedicam quase dez horas a mais por semana a essas atividades em comparação aos homens.
“Hoje, por exemplo, é Dia do Trabalhador, mas quem vai poder realmente descansar nesse feriado? Porque a mulher que trabalha fora, em um dia de folga, ela pensa assim: ‘Ah, vai dar sol, então eu vou lavar roupa, vou arrumar a casa, vou adiantar as compras.’ O tempo da mulher nunca é usado só para ela”, disse.
“As mulheres vivem uma escala 7x0. Especialmente as negras e periféricas. Porque as mulheres de classe média alta têm formas de transferir esse trabalho. Mas para as mulheres negras periféricas, ele é posto como obrigação”, afirmou.
A criação dessa lógica, segundo a pesquisadora, passa também por construções sociais e religiosas. “Para garantir que ele seja feito, se cria, com a ajuda da Igreja, a ideia desse amor materno mítico e dessa obrigação”, explicou.
“Esse amor, na verdade, é trabalho não pago, que traz sobrecarga psíquica, física e social e retira da mulher a possibilidade de ter saúde mental e social”, completou.
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Imagem: Reprodução/