15/11/2022
Última fotografia da princesa Isabel tirada em vida, no Château d'Eu, na França, onde ela veio a falecer em 14 de novembro de 1921, aos 75 anos. Na foto ao lado, podemos ver o corpo da herdeira do trono brasileiro em seu leito de morte. Nas mãos da Princesa Imperial, é possível ver um rosário e um crucifixo. A foto foi tirada por Paul Gavelle.
Uma vez proclamada a República, D. Isabel e sua família foram forçados pelo novo regime a viver no exílio. Residindo no Castelo d’Eu, na França, a princesa iniciou uma nova fase de sua vida. Sem quaisquer arrependimentos, ela havia se tornado, nas palavras do brasilianista Roderick Barman, “a mulher dona de si”. Essa, por sua vez, se constitui em outra das seções dedicadas à vida da princesa pela exposição da Biblioteca Nacional.
Com efeito, após a morte de D. Pedro II em 1891, houve quem saudasse D. Isabel no exílio como imperatriz do Brasil. Os próximos 30 anos de sua vida foram inteiramente dedicados a atividades filantropas, como ela costumava fazer enquanto vivia no país. Jamais foi defensora de uma restauração monárquica através do uso da violência, conforme deixou claro em um bilhete dirigido ao Conselheiro João Alfredo:
“Meu pai, com seu prestígio, teria provavelmente recusado a guerra civil como um meio de retornar à pátria… lamento tudo quanto possa armar irmãos contra irmãos… É assim que tudo se perde e que nós nos perdemos. O senhor conhece meus sentimentos de católica e brasileira”.
Quando as primeiras bombas da guerra estouraram na Europa em 1914, seus filhos mais novos se alistaram como voluntários. Um deles, D. Antônio, acabou morrendo em decorrência de um acidente de avião no Sul da Inglaterra. As muitas perdas pelas quais experimentou na vida abalaram bastante a saúde da princesa que não chegou a reinar. Ela faleceu sem conseguir realizar o sonho há muito tempo acalentado de retornar ao Brasil.
Texto:
Imagem: Arquivo Grão-Pará (reproduzido em CERQUEIRA, Bruno; ARGON, Maria de Fátima. "Alegrias e Tristezas". 2019).