14/02/2017
CURIOSAMENTE CURIOSO.
O PROBLEMA É O VALET.
Leia essa história maluca...
Apesar de esquisito, o restaurante não cobrava a comida,
apenas o valet por Flávio Waiteman
publicado em 13 de fevereiro, 2017
Era uma vez, num país muito distante, um restaurante diferente. Nele você não pagava o prato que comia. Nem o vinho que bebia. Pagava apenas o estacionamento. O valet.
E, até por falta de opção, esse restaurante fez muito sucesso. Apesar de esquisito, o restaurante não cobrava a comida, apenas o valet. Com o tempo, outros restaurantes seguiram o mesmo modelo e, então, logo depois, só era possível jantar em um restaurante se pudesse pagar o valet.
Mesmo que você chegasse a pé ao restaurante, era necessário pagar o valet, se quisesse comer. Os cozinheiros perceberam que a qualidade da comida quase não importava, pois todos os restaurantes só cobravam o valet.
Mas o tempo passou e chegaram novas tecnologias, novas formas de vender comida. Alguns restaurantes abriram com tapas, sem valet. Outros só serviam sanduíches. E outros apenas comida vegetariana. Mas essa novidade toda guardava um segredo: todos eles sonhavam em ter um valet, pois, na verdade, ele é quem trazia muito dinheiro.
Os restaurantes dos valets passaram também a servir tapas, saladas e, a cada semana, inventavam algo novo, mas só pensando no dinheiro do valet. Por isso, o que os clientes dos restaurantes queriam pouco importava. Estava lá a importância do valet a reger a indústria gastronômica do país.
Chegou-se à bizarrice, devido à extrema competição entre os restaurantes, em dar descontos nos valets. Devolviam aos clientes que iam ao restaurante uma parte do valor do valet.
Os clientes deixaram de confiar nos restaurantes. Isso abriu espaço para todo tipo de aventureiro. Os agricultores começaram a vender pratos, os contabilistas dos restaurantes começaram a vender pratos. Os advogados dos clientes começaram a vender pratos e até mesmo alguns valets vendiam umas quentinhas de vez em quando.
Era o valet que pagava as contas dos restaurantes que já haviam sido vendidos para grandes redes. Mas nem tudo estava bem nessa história. Ao final, os chefs que se dedicavam à culinária se perguntavam: por que não fazer um restaurante que venda pratos bem feitos, com ingredientes frescos, e a pessoa que estacione onde quiser?
Eles acharam uma boa ideia. Aboliram o valet. Não chamaram os advogados e contabilistas. Fizeram uma agenda dos melhores produtores de ingredientes. Fizeram também algo impensado naquele país. Uma placa. Apenas uma placa: “Aqui cobra-se o prato que você consumir”. E passaram, então, a fazer naquele mercado de alimentação uma coisa impensável e completamente inovadora. Alguns diziam que era pura loucura um restaurante fazer culinária.